ARTIGOS

Campanha Mundial chega ao Brasil pelo CRB

Durante a realização do Simpósio Internacional de Radiologia Pediátrica, no Rio de Janeiro (RJ), no fnal do mês de julho passado, aconteceu a adesão do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) pela anuência do seu presidente, Dr. Sebastião Tramontin, à Campanha Mundial “Image Gently”


No mês do aniversário da entidade, que completa 61 anos, o mais mais importante no momento é a divulgação desta grande ideia para todos os profissionais que lidam diariamente com a aquisição de exames de diagnóstico por imagem. Como iniciativa do Departamento Cultural do CBR, a parceria entre esta entidade e o Comitê Internacional o Image Gently foi efetivada e pretende conscientizar os radiologistas de todo o país.

Acompanhe em seguida dois textos alusivos sobre o movimento e depois uma entrevista com a presidente desta campanha: Dra. Marilyn Goske (EUA) e os links para poder começar a divulgação em seu serviço.

IMAGE GENTLY Realizando imagens com carinho

“Image Gently” é uma campanha educativa criada pela ARSPI (Alliance for Radiation Safety in Pediatric Imaging) para a conscientização de maior cuidado e segurança na radiação diagnóstica nos pacientes pediátricos. Criada em 2007, a campanha conta com o apoio de organizações de saúde em todo o mundo. Nos EUA a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade de Radiologia Pediátrica somam mais de 500.000 profissionais ligados à área da radiologia, física médica e segurança em radiação.

Especificamente com relação ao grupo pediátrico, o conhecimento adequado por parte dos profissionais médicos e técnicos em radiologia se reveste de importância peculiar.

A dose da radiação utilizada em diagnóstico por imagem na criança tem sido associada ao risco no desenvolvimento de câncer ao longo da vida. Não sabemos ao certo se essa radiação causa câncer, mas sabemos que a criança é cerca de 5 vezes mais sensível que o adulto. Também sabemos que a radiação é cumulativa, portanto, o que podemos fazer de imediato é agir como se essa relação fosse direta e indiscutível.


A literatura médica internacional tem dado especial atenção à utilização da tomografa computadorizada helicoidal e multicortes que utilizam altas doses de radiação, o que tem gerado preocupação com relação à maneira como estão sendo irradiadas nossas crianças.

O princípio ALAR (as-low-as reasonably-achievable) tem sido usado na comunidade americana já há algum anos. Entretanto o FDA (Food and Drug Administration) tem estabelecido três importantes critérios no sentido de minimizar a dose de radiação em exames de tomografa computadorizada em criança otimizar os parâmetros técnicos, reduzir o número de fases contrastadas e reduzir a solicitações através da aplicação de indicações precisas ou a substituição, quando possível, por métodos que não usem radiação ionizante.

Parâmetros como o mAs e o pitch podem ser facilmente ajustados à população infantil reduzindo a dose de radiação sem comprometimento da imagem e portanto do diagnóstico. Uma redução de 50% no mAs reduz a dose de radiação em 50% e um aumento no pitch de 1.0:1 para 1.5:1.0 produz resultado semelhante.

Esforços devem ser desenvolvidos pelos serviços de um modo geral, no sentido da não utilização na população pediátrica de parâmetros automaticamente previstos para adultos, prática ainda comum nos dias atuais

Essa campanha é não somente gentil, mas conclama os colegas a uma mudança de conduta no que diz respeito ao cuidado com a radiação utilizada no paciente pediátrico.

As nossas crianças agradecem!

UNIÃO DE TODOS para o bem de nossas crianças

É fundamental o apoio do CBR a esta Campanha Mundial, da qual participam várias Sociedades Internacionais de Radiologia Pediátrica, dentre elas a Sociedade Latino-Americana de Radiologia Pediátrica (SLARP).

Image Gently é uma campanha mundial de conscientização da importância da proteção radiológica aos pacientes pediátricos. Esta campanha foi criada nos Estados Unidos e iniciada em 2007 e tem como objetivo proteger as crianças de doses desnecessárias de radiação ionizante durante exames radiológicos, tendo como oco principal os exames de tomografa computadorizada.

O paciente pediátrico tem uma expectativa de existência longa e precisamos oferecer-lhe condições de uma vida sem consequências de radiação ionizante.

A atual presidente do Image Gently é a Dra. Marilyn Goske, dos Estados Unidos, a qual foi uma das professoras convidadas no Simpósio Internacional de Radiologia Pediátrica realizado no Rio de Janeiro, em julho deste ano, ocasião em que foi ofcializado o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem pelo Dr. Sebastião C. Tramontin, presidente do CBR.

O Image Gently envolve médicos, técnicos e tecnólogos de radiologia, físicos e as empresas de equipamentos radiológicos.

Os tópicos principais do Image Gently são: indicação correta dos exames de Tomografa Computadorizada e de RX, realização destes exames com as menores doses de radiação possíveis, adequação das técnicas destes exames aos pacientes pediátricos e às indicações diagnósticas e obtenção do apoio das empresas que desenvolvem os equipamentos radiológicos para que exista uma padronização das medidas de radiação.

Os pediatras e demais médicos que solicitam exames de imagem também devem ser conscientizados da importância da solicitação de exames que utilizam radiação ionizante apenas em casos realmente necessários. Neste aspecto, o Imagem Gently também tem um importante papel e deve ser difundido entre todos.

Radiologistas pediátricos e Radiologistas gerais que realizam exames em pacientes pediátricos: devem fazê-lo se realmente forem necessários e, se preciso for, devem entrar em contato com os médicos solicitantes para confirmação da real importância de alguns exames. Estes devem ser realizados racionalmente, com o menor número possível de exposições e com a menor técnica que permita a aquisição de imagens diagnósticas. É papel do radiologista também orientar e estimular os técnicos e tecnólogos de radiologia para que irradiem menos as crianças.

Residências de Radiologia: devem difundir os conceitos do Image Gently e treinar os residentes sob estes critérios, enfatizando que apenas sejam adquiridas imagens necessárias ao diagnóstico.

O Conceito ALARA (As Low As Reasonably Achievable) já é bem conhecido de todos e faz parte do Image Gently, sendo seu protocolo disponibilizado no site do Image Gently:

www. imagegently.org.


Entrevista especial


Boletim do CBR: Quando a Campanha “Image Gently” nasceu?


Dra. Marilyn Goske: No verão de 2007, um grupo de radiologistas pediátricos, nos Estados Unidos, reconheceu que era utilizada muita radiação em crianças que realizavam exames de radiologia e diagnóstico por imagem, principalmente em TC. Por isso, nós precisávamos desenvolver uma campanha mostrando uma mensagem para a comunidade que abordasse a diminuição das doses de radiação emitidas pelos exames. Então, no outono de 2007, outros três parceiros norte-americanos juntaram-se ao nosso projeto, caso do Colégio Americano de Radiologia (ACR), da Sociedade dos Técnicos em Radiologia e da Associação de Físicos em Medicina e formamos uma aliança para trabalhar mutuamente este problema, porque não é uma questão apenas dos radiologistas a criação de protocolos em TC. Precisamos também do apoio dos técnicos em radiologia e físicos. Começamos o programa nos EUA e na América do Norte; a partir daí desenvolvemos outras relações com grandes grupos de radiologia e de técnicos. Depois começamos a divulgação entre grandes sociedades de especialistas médicos em TC, porque precisávamos da participação dos médicos e técnicos para responderem as nossas dúvidas e assim pudemos lançar a campanha em janeiro de 2008. Conseguimos trabalhar todos juntos e gastar menos tempo para chegar ao mundo todo, como a SLARP que se juntou a nós, assim o mesmo aconteceu com o a SPR e AOSPR. O próximo passo foi a junção das empresas que fabricam os equipamentos de TC para mudar a quantidade de radiação emitida por seus produtos e chegar aonde precisávamos. Por essa razão, em agosto de 2008, as companhias que produzem TC também entraram em nossa campanha, assim como conseguimosque o governo prestasse atenção a essa questão. Em janeiro de 2009, nós desenvolvemos uma campanha para os pais em que elaboramos uma cartilha com recomendações para que todos os hospitais possam imprimir de graça e distribuir na qual explica o que é um TC, o que é radiação, se esse exame é seguro, etc. Atualmente, estamos focados na substituição dos exames de TC por outros alternativos que não utilizem a radiação, caso da ultrassonografa, da ressonância magnética, em se tratando de crianças e, se precisar ser feito, que utilizem a menor radiação possível. Em agosto, tivemos um programa para incentivar a radiologia intervencionista, a fluoroscopia e os cateteres porque muitas crianças podem realizar esses procedimentos sem o contato com a radiação. Nós tentamos ensinar na prática e dar as ferramentas necessárias para que todos possam fazer um bom trabalho nos serviços. Então, quando um médico muito ocupado prefere usar uma RM por diversos motivos é muito difícil explicar que ele deve usar esse tipo de tecnologia para evitar a radiação, caso queira confirmar uma doença em um equipamento de TC. Por isso, nós oferecemos tudo em nosso site: www.imagegently.org gratuitamente para que os médicos não precisem ter qualquer esforço ou tentem inventar a roda, eles apenas devem usar as nossas recomendações em suas práticas e implementá-las junto com os seus técnicos para melhorar a relação dos pais com os equipamentos que auxiliarão no diagnóstico de suas doenças e melhorarão a prática médica em nossas crianças.

Boletim do CBR: Se diminuirmos a radiação nos exames, os radiologistas terão a mesma qualidade diagnóstica ou não?


Dra. Marilyn Goske: No nosso site existem protocolos que podem auxiliar os médicos a diminuir a radiação. Se reduzirmos demais as doses de radiação não teremos nenhuma imagem então deve existir um balanço entre as baixas doses para poder existir um diagnóstico de qualidade. Quando a indicação do médico assistente for realizar um exame de TC em criança, o radiologista precisa entender que não precisará de um filme do tamanho 24x30 para fazer uma tomo- grafia de uma parte apenas do tórax Estamos tentando advertir com uma mensagem simples: a criança precisa fazer um TC então deve ser feito com a menor taxa de radiação recomendada, apenas uma vez e numa área menor possível. Nos serviços a prática deve ser da seguinte forma: uma radiação aplicada em adultos não deve ser da mesma intensidade feita em crianças. Então, os técnicos de radiologia devem pensar que precisam fazer uma imagem gentil, ou seja diminuir a dose ao máximo porque é uma criança.

 

Boletim do CBR:Os radiologistas pediátricos nos EUA mudaram a sua forma de realizar os exames por causa dessa campanha?

Dra. Marilyn Goske: Nós esperamos com essa mensagem ter impactado a todos os médicos que trabalham com imagem em crianças após ter conseguido o apoio das maiores sociedades ligadas à Pediatria no mundo. Também temos muitos voluntários e pessoas que atuam fortemente para divulgar essa ideia dentro de hospitais e serviços de radiologia. Todos podem disseminar o “image gently” porque estarão amplificando nossas vozes e melhorando a vida das crianças. Assim, esperamos que também aconteça com o suporte do Colégio Brasileiro de Radiologia no momento que os radiologistas pararem para pensar e disserem nós podemos obter maravilhosas imagens ainda que usemos menores doses de radiação.

Boletim do CBR: Toda a campanha mundial está acontecendo paralela ao Brasil?

Dra. Marilyn Goske: Nós fizemos diversas alianças ao redor do mundo com as sociedades para a promoção desta campanha e temos no nosso site material explicativo em diversas línguas para que o mundo todo possa utilizar essa prática. Os Estados Unidos se orgulham de ter iniciado esse projeto e acreditam que os demais países podem trabalhar juntos na divulgação dessa mensagem, até mesmo em países que não possuem sociedades de radiologia pediátrica, porque os poucos radiologistas pediátricos existentes podem encontrar as informações em suas associações ou nos locais de trabalho em todo o mundo, pela Internet ou até por telefone.


Boletim do CBR: Como podemos advertir os pais sobre os exames que utilizam radiações ionizantes e que a diminuição destas doses é melhor para suas crianças?

Dra. Marilyn Goske: Falar com os pais sobre radiação médica é uma questão bastante difícil, mas temos que informá-los sobre a necessidade de realizar um exame de radiologia e diagnóstico por imagem e quão maravilhoso é para diagnosticar as doenças, auxiliar os médicos na solução dos problemas e evitar, às vezes, uma cirurgia ou fazer uma criança sair do hospital rapidamente. No entanto, temos que usar essa ferramenta com muita consciência porque muitos pais estão se tornando mais preparados devido à Internet porque podem pesquisar e saber mais a respeito de diversos assuntos relacionados com as doenças que suas crianças apresentam. Por isso, precisamos ter respostas para todas as suas questões e apresentar a informação real que o melhor para a sua criança no momento é realizar tal procedimento.


Boletim do CBR: É difícil explicar para os médicos radiologistas mais experientes como trabalhar ou que devem mudar sua forma de atuação com a radiação?

Dra. Marilyn Goske: Esse é o motivo porque todos devem trabalhar em conjunto, desde o presidente do CBR até os líderes da SLARP, porque o que eles dizem que é importante para a saúde das crianças os demais associados irão notar e fazer da forma sugerida até mudar o jeito de trabalhar. Acredito que os radiologistas e os técnicos em radiologia devem pensar em apenas uma coisa, de que eles precisam dar ferramentas simples de educação para que todos possam mudar sua maneira de fazer os exames.

Boletim do CBR: O número de casos em crianças com câncer aumentou nos EUA a ponto de criarem essa campanha ou não?

Dra. Marilyn Goske: Nós não sabemos se as doses de radiação médica causam câncer, isso está sendo estudado por muitos pesquisadores há vários anos e ainda não temos essa resposta. Então, os coordenadores da campanha “Image Gently” decidiram que apesar de não saberem ainda a resposta era preciso agir. A melhor coisa será descobrir que a radiação não provoca câncer, mas enquanto isso, nós podemos evitar a sua propagação caso ela provoque a doença. É importante no momento atuar em benefício de nossas crianças e considerar o impacto que essa ação poderá ter no futuro delas.



Fonte: Renata Donaduzzi Editora do Boletim do CBR

 

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